Setor do tabaco: ações no presente com o olhar para o futuro

Relatório Institucional 2025 do SindiTabaco traz informações sobre as atividades e dados atualizados.

Para a atualização sobre o setor do tabaco no Brasil e as principais realizações, a dica é a leitura do Relatório Institucional do Sindicato Interestadual da Indústria do Tabaco (SindiTabaco). A edição de 2025 traz o título ‘Tabaco – Olhar para o futuro’, que já indica a disposição de se reinventar, uma característica da cadeia produtiva que segue firme e com a disposição de continuar sendo um importante segmento do agro brasileiro, especialmente no Sul do Brasil.

A publicação mostra os números da produção e das exportações, os mercados e os principais programas desenvolvidos pelo setor. O detalhamento sobre as vendas externas de 2024 e impactos socioeconômicos fazem parte do relatório, bem como as iniciativas visando o futuro do setor. Outros aspectos são as boas práticas e ações para fortalecer o Sistema Integrado de Produção (SIPT) e os programas sociais e ambientais que impulsionam a sustentabilidade.

Entre os temas, estão questões relacionadas aos motivos da manutenção do Brasil como maior exportador mundial de tabaco por mais de 30 anos, condição que é garantida pela estabilidade no volume aliada à garantia aos clientes de um produto com qualidade e integridade. Os volumes embarcados ao longo dos anos seguem uma média histórica ao redor das 500 mil toneladas e, na última década, o montante médio exportado girou ao redor de US$ 2 bilhões em divisas.

Merece atenção especial a parte da publicação que oferece informações sobre aspectos importantes divulgados como verdades, mas que têm base apenas ideológica. O setor produtivo tem sido alvo de difamações baseadas em suposições que não condizem com a realidade. O contraponto a temas que nem sempre são adequadamente contextualizados foi uma das ações de comunicação de 2024, com o lançamento do paper ‘Assunto controverso, contraponto necessário’, documento que mostra a realidade sobre questões sociais e ambientais relacionadas à agricultura familiar.

O relatório também reforça um dos pontos de atenção do SindiTabaco em 2024, que foi de reforço em ações pelo fortalecimento do SIPT, sistema estabelecido há mais de um século e que se baseia no cumprimento da legislação e no olhar atento para

a produção sustentável, inovação e qualidade e integridade do produto. A participação do SindiTabaco no Fórum Nacional de Integração (Foniagro) da Cadeia

Produtiva do Tabaco demonstra o comprometimento para seguir atuando com métricas e parâmetros regulados pela Lei da Integração (13.288/16).

Palavra do presidente

Ao apresentar a publicação, o presidente do SindiTabaco, Valmor Thesing, lembra que a manutenção do Brasil como um importante player global é um dos aspectos que recebe foco. “Estamos trabalhando de forma muito intensa para o fortalecimento do sistema integrado de produção de tabaco, atuando em conjunto com a representação dos produtores sobre temas como integração, sustentabilidade, qualidade e inovação”, diz. “O mercado ilegal segue desafiando nosso setor, assim como os desdobramentos da Convenção-Quadro para o Controle do Tabaco. Precisamos equilibrar a equação de um país que é o segundo maior produtor e o maior exportador de tabaco do mundo e, ao mesmo tempo, é protagonista na adoção de medidas restritivas ao setor, como é o caso da proibição dos Dispositivos Eletrônicos de Fumar”, acrescenta.

Na visão de Thesing, defender a participação da cadeia produtiva brasileira nos negócios globais de novos produtos é, também, olhar para o futuro do sistema integrado. “Regulamentar significa aproveitar a planta industrial já instalada em nosso país e, mais do que isso, viabilizar a participação dos produtores de tabaco nesse novo modelo de negócio, além de dar segurança sanitária aos consumidores e gerar renda,

empregos, tributos e divisas”, esclarece.

Entre as diversas ações que visam a sustentabilidade do setor, Thesing destaca o Instituto Crescer Legal, que completa 10 anos de atuação em 2025, ultrapassando a marca de mil adolescentes do meio rural beneficiados. “Vamos seguir incentivando o

protagonismo, o empreendedorismo, a sucessão rural e as boas práticas no campo, fortalecendo um setor que ainda tem muito a contribuir para economia e a qualidade de vida das regiões produtoras”, finaliza.

Alguns pontos do Relatório Institucional

Exportações de 2024 – No total, 455 mil toneladas de tabaco brasileiro foram embarcadas para 113 países e geraram divisas de US$ 2,98 bilhões. O mercado Europeu, que historicamente mantinha a liderança entre os principais destinos do tabaco brasileiro, teve ao seu lado, em 2024, o Extremo Oriente, ambos com 34% do total embarcado. Em seguida, aparece África/Oriente Médio (15%), América do Norte (9%) e América Latina (8%). Os principais países importadores foram Bélgica, China, Estados Unidos, Egito, Indonésia e Vietnã. O tabaco representou 12,55% das exportações do Rio Grande do Sul; 0,88% das exportações brasileiras e 5,08% dos embarques da região Sul.

Produção e renda – O Brasil segue sendo o segundo país que mais produz no mundo, atrás apenas da China. Na última safra, 133 mil produtores de 509 municípios produziram 508 mil toneladas em 248 mil hectares. A geração de renda aos produtores somou R$ 11,8 bilhões. Outras informações são sobre vantagem econômica do produtor de tabaco, que tem renda 117% maior do que a média da população brasileira, segundo pesquisa realizada em 2023, pelo Centro de Estudos e Pesquisas em Administração da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (CEPA/Ufrgs). O estudo também constatou que 80% dos produtores de tabaco enquadram-se nas classes A e B, enquanto a média geral brasileira nesse estrato social não chega a 25%.

Boas práticas – Por meio do sistema integrado, o setor busca engajar e conscientizar os produtores integrados sobre boas práticas agrícolas. Isso se torna um diferencial importante no mercado global competitivo. As boas práticas nas diferentes etapas do ciclo produtivo são tema de uma série de vídeos disponíveis no canal youtube.com/sinditabaco.

Meio ambiente – Com 14,8% de cobertura por mata nativa e 8,8% por mata reflorestada, as propriedades produtoras de tabaco têm alto índice de cobertura florestal. Isso é resultado do incentivo que ocorre desde a década de 1970, quando as

indústrias integradoras começaram a recomendar e incentivar o plantio de eucaliptos para produção de madeira energética. Estufas cada vez mais modernas reduzem o consumo de lenha e a energia solar também já é uma realidade no campo. As indústrias exigem a comprovação do uso de lenha de origem legal em seus contratos de compra de tabaco.

Saúde e segurança – O setor tem atuação permanente na conscientização sobre temas que impactam o bem-estar e a qualidade de vida dos trabalhadores no campo. Além da orientação por meio do Sistema Integrado, há distribuição de materiais impressos, veiculação de campanhas de mídia e realização de seminários e treinamentos. Além disso, a prevenção dos sintomas causados pela doença da Folha Verde do Tabaco é garantida pelo uso da Vestimenta de Colheita, luvas impermeáveis e botas. E o produtor recebe orientação sobre o correto manuseio e aplicação de agrotóxicos, com atenção especial ao uso correto do EPI (Equipamento de Proteção Individual) e à armazenagem e destino dos produtos.

Defensivos

O uso de agrotóxicos na produção de tabaco tem tido redução significativa ao longo das últimas décadas, isso graças ao investimento em produtos que são cada vez mais eficientes e com menos toxicidade. Ainda que necessário em alguns momentos, o uso de defensivos na produção de tabaco é de 1,01 quilo de ingrediente ativo por hectare, sendo muito inferior se comparado a outras culturas comerciais agrícolas. O produtor também é orientado a somente utilizar produtos registrados e autorizados pelos órgãos governamentais competentes e de acordo com a receita agronômica e as instruções dos rótulos e bulas.

E, a logística reversa das embalagens vazias de agrotóxicos no setor do tabaco é exemplo para outras cadeias produtivas. Os dados do Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias (inPEV) são de que 93% do material

coletado no país é reciclado e, a Região Sul, onde atua o programa de logística reversa do setor do tabaco, é responsável por 84% dos mais de 4 mil recebimentos

itinerantes que ocorreram anualmente no país. Assim, os produtores de tabaco que participam do Programa de Recebimento de Embalagens Vazias de Agrotóxicos contribuem para a preservação ambiental e a segurança no campo.

Novos produtos

O futuro da atividade nos países produtores de tabaco está ligado aos novos produtos, os Dispositivos Eletrônicos de Fumar (DEFs). Enquanto países desenvolvidos regulamentam o uso, o Brasil mantém a proibição. Ainda assim, o consumo de dispositivos que têm origem em fábricas clandestinas e no contrabando, vem aumentando. Assim, os brasileiros estão expostos a produtos que colocam a saúde dos usuários em risco e enriquecem o crime organizado.

A produção mundial de dispositivos com nicotina líquida necessita da matéria-prima que o Brasil tem em abundância. Mas, por causa da proibição, perdemos empregos, renda, tributação e competitividade no cenário mundial. A defesa de uma regulamentação sólida sobre o assunto é a oportunidade para frear o alcance do mercado ilegal no território brasileiro, proteger o consumidor e aumentar a renda do produtor e dos municípios envolvidos com a atividade.

Leia AQUI a íntegra do Relatório Institucional.