Tabaco no sul do Brasil: uma cultura sustentável

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O Brasil é o segundo maior produtor mundial de tabaco e líder em exportações. Hoje em dia a cultura está presente em 619 municípios do sul do país, envolve mais de 154 mil famílias de agricultores, 615 mil pessoas no meio rural e dá origem a 40 mil empregos diretos nas indústrias de beneficiamento. De acordo com dados da Safra 2014/2015, os 315 mil hectares plantados resultaram em 692 mil toneladas do produto – deste volume, 51% foram produzidos no Rio Grande do Sul, 29% em Santa Catarina e 20% no Paraná. Segundo a Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra), a produção do tabaco gerou uma receita de R$ 5 bilhões aos produtores.

Para representar os interesses comuns das indústrias de tabaco, foi fundado em 1947, em Santa Cruz do Sul (RS), o Sindicato da Indústria do Fumo (atual SindiTabaco – Sindicato Interestadual da Indústria do Tabaco), uma entidade representativa do agronegócio do tabaco perante as esferas federal, estadual, municipal, judicial e internacional. Seus principais objetivos são a sustentabilidade da cadeia produtiva, uma comunicação transparente e o acompanhamento dos assuntos regulatórios relacionados ao setor. A entidade também se envolve em dissídios coletivos com os representantes dos trabalhadores das indústrias.

A entidade congrega 15 empresas associadas: Alliance One Brasil Exportadora de Tabacos Ltda., ATC – Associated Tobacco Company (Brasil) Ltda., Brasfumo Indústria Brasileira de Fumos S/A, China Brasil Tabacos Exportadora S. A., CTA – Continental Tobaccos Alliance S.A., Industrial Boettcher de Tabacos Ltda., Intab – Indústria de Tabacos e Agropecuária Ltda., JTI Kannenberg Comércio de Tabacos do Brasil Ltda., JTI Processadora de Tabaco do Brasil Ltda., Philip Morris Brasil Indústria e Comércio Ltda., Premium Tabacos do Brasil S.A., Souza Cruz S.A., Tabacos Marasca Ltda., Tabacos Novo Horizonte S.A. e Universal Leaf Tabacos Ltda.

Perfil do Produtor – O cultivo de tabaco no Brasil tem como base as pequenas propriedades, em média com 15,3 hectares, sendo que destes, apenas 17,6% são dedicados à produção de tabaco. Apesar das pequenas lavouras plantadas, o cultivo representa 51,4% da renda familiar dos agricultores (dados da Afubra). A área restante é reservada para atividades de subsistência, criações de animais, pastagens, açudes e florestas.

Ciente desse perfil, há décadas as indústrias de beneficiamento de tabaco incentivam os produtores a diversificar suas atividades, justamente para que não dependam exclusivamente de uma cultura. Por meio de atividades paralelas, os agricultores reduzem seus custos com a alimentação da família e de animais criados na propriedade, e aumentam a renda com a comercialização de excedentes de produção. É uma forma de melhorar a qualidade de vida das famílias, e contribuir para que permaneçam no meio rural, reduzindo as chances de êxodo para os centros urbanos.

Milho e Feijão – Uma das ações de incentivo à diversificação é o programa Plante Milho e Feijão após a colheita do tabaco, que conscientiza para as facilidades e vantagens de cultivar grãos após a colheita do tabaco. Por se tratar de culturas sazonais, é possível o cultivo sequencial na mesma lavoura, com economia em fertilizantes e demais tratos culturais. Outras vantagens são a proteção do solo e o incremento na renda extra, seja com a venda de grãos ou com a produção de alimentos para a família e os animais.

Sistema Integrado de Produção

Há várias décadas, o Sistema Integrado de Produção de Tabaco (SIPT), estabelecido entre produtores e empresas beneficiadoras, é a base de fortalecimento desta atividade no Brasil. Inclusive, tem sido exemplo para outras culturas e para outros países. As vantagens para os agricultores integrados são inúmeras e vão desde a garantia de venda de toda a produção contratada, assistência técnica e financeira, até a organização do transporte do tabaco da propriedade até a indústria. Já para as empresas, os benefícios são o planejamento adequado dos volumes de acordo com as necessidades e perspectivas de mercado, a manutenção da qualidade e integridade do produto. Os itens mais significativos do SIPT são os seguintes:

Planejamento de safras – as empresas definem o volume a ser produzido de acordo com sua capacidade de processamento e perspectivas de venda, fundamentadas na análise dos mercados doméstico e internacional. Posteriormente, empresa e produtor firmam um contrato de compra e venda de tabaco em folha para a próxima safra.

Garantia da compra total da safra contratada – As empresas assumem o compromisso de adquirir toda a produção contratada e atualizada junto aos produtores integrados. Também coordenam e custeiam o transporte da produção até as usinas de beneficiamento.
Levantamento de custos e negociação de preço – O levantamento dos custos de produção e a negociação do preço pago ao produtor são realizados diretamente por cada empresa com a representação dos produtores.

Assistência técnica e financeira – As indústrias pesquisam constantemente variedades, melhores práticas culturais e insumos a serem utilizados na produção. Isto serve de base para a assistência técnica prestada aos produtores durante todas as fases da cultura. As empresas facilitam também o acesso do produtor aos financiamentos de crédito rural junto aos bancos, bem como avalizam as operações.

Uso de insumos de alta qualidade – As sementes usadas são registradas e certificadas, além de aprovadas pelos clientes. Os fertilizantes têm formulas testadas e níveis de nutrientes adequados para a cultura do tabaco. Já os agrotóxicos também são aprovados pelos clientes e registrados pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).

Meio Ambiente

Ao longo dos anos, as indústrias de beneficiamento de tabaco têm investido fortemente em práticas e projetos que objetivam a preservação do meio ambiente e a segurança dos produtores. São uma constante, ainda, a pesquisa e o desenvolvimento de tecnologias seguras e eficazes que tencionam a diminuição gradual do uso de produtos químicos, principalmente agrotóxicos. Apenas 1,1 quilo de ingrediente ativo é utilizado por hectare. Este volume coloca a lavoura de tabaco brasileira como a cultura de interesse econômico que menos utiliza agrotóxico.

O setor também é atuante quando se trata de recipientes vazios deste produto. No Rio Grande do Sul e Santa Catarina, as empresas mantêm o Programa de Recebimento de Embalagens Vazias de Agrotóxicos, que percorre os estados, coletando embalagens tríplices lavadas em mais de 2.300 localidades dos municípios produtores de tabaco. No Paraná, iniciativas semelhantes são apoiadas pelas indústrias do setor. Também são iniciativas permanentes das empresas junto aos produtores integrados, os programas de análises de resíduos químicos e orientações em relação ao manuseio, o uso correto e armazenagem dos agrotóxicos, o manejo e conservação do solo e dos recursos hídricos e o permanente incentivo ao reflorestamento e à preservação ambiental. Além disso, desde 2011, são realizadas ações pela preservação e recuperação da Mata Atlântica em parceria com o Ibama e o Ministério do Meio Ambiente.

PI Tabaco – O Brasil é o primeiro país do mundo habilitado a certificar tabaco. Através do programa piloto “Produção Integrada do Tabaco – PI Tabaco”, produtores espalhados pelos três estados sul-brasileiros aceitaram o desafio da produção sustentável em conformidade com os requisitos estabelecidos para o processo de certificação da Produção Integrada Agropecuária (PI Brasil), do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). Com a certificação, o setor age de forma proativa, se adequando às tendências e assegurando continuidade e permanência no cenário globalizado. Entre as exigências para a certificação do tabaco estão: obrigatoriedade de usar somente lenha de origem legal e sustentável, descarte correto das embalagens de agrotóxicos, adoção de práticas conservacionistas como plantio direto e cultivo mínimo e uso de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) e da vestimenta de colheita.

Responsabilidade social

Diversas iniciativas do SindiTabaco e empresas associadas visam prevenir e combater o trabalho de crianças e adolescentes na cultura do tabaco, por meio da conscientização dos produtores e da sociedade, bem como do incentivo à educação e à qualificação do jovem rural. São ações com a missão de contribuir com o cumprimento da legislação brasileira, buscando ser referência, de forma sustentável, na prevenção e combate ao trabalho de crianças e adolescentes na cultura de tabaco.

Instituto Crescer Legal – Representando um avanço nas ações que já vinham sendo realizadas pelo setor há três décadas, em abril de 2015 foi fundado o Instituto Crescer Legal. Formada por pessoas físicas e com apoio das indústrias do setor, a entidade promove ações e projetos sociais para combater o trabalho infantil e a oferecer alternativas para que os adolescentes tenham oportunidades e permaneçam no meio rural. Em 2016 se concretiza uma ambiciosa ação do Instituto, com o início de cursos do Programa de Aprendizagem Profissional Rural, direcionados a jovens rurais em cinco municípios gaúchos: Candelária, Vale do Sol, Vera Cruz, Santa Cruz do Sul e Venâncio Aires. A proposta é oportunizar ao jovem do meio rural alternativas que incluem acesso à educação, à tecnologia e à informação sem sair das suas comunidades, com formação voltada para o desenvolvimento de um empreendedor em agricultura polivalente. Além disso, os adolescentes têm contratos como aprendizes e recebem bolsa de estudo e certificação de acordo com a Lei de Aprendizagem.

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