Sinditabaco News – Outubro/Novembro/Dezembro de 2015

Não há, no mundo, uma iniciativa de logística reversa de embalagens de agrotóxicos como no Brasil. O país é referência no recolhimento e destinação dos recipientes e conta com iniciativas do setor privado para fazer jus à primeira colocação do ranking. Uma destas ações é o Programa de Recebimento de Embalagens Vazias de Agrotóxicos, desenvolvido de forma itinerante pelo SindiTabaco e empresas associadas, com o apoio da Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra).

Criada no ano 2000, a ação antecedeu a regulamentação da lei sobre o tema (artigo 53, Decreto 4.074/2002). O primeiro recolhimento aconteceu no dia 23 de outubro daquele ano, na localidade de Rio Pardinho, interior de Santa Cruz do Sul (RS). De lá para cá, o programa cresceu e continua sendo inovador: os registros que antes eram feitos de forma manual, passaram a ser feitos por um aplicativo em 2015. O novo formato de gestão dos dados do programa contempla o uso de dispositivos móveis (tablets) para o lançamento da quantidade de embalagens entregues por produtor.

“Com o software, teremos um programa ainda mais eficaz em termos de gestão, uma vez que o processo de geração de relatórios ficará facilitado e mais ágil. É mais um investimento e um avanço que damos em direção à saúde e segurança dos produtores e à proteção ambiental, objetivos prioritários do programa”, afirma o presidente do SindiTabaco, Iro Schünke.

O PROGRAMA EM NÚMEROS
563 municípios percorridos no RS e em SC
2,3 mil pontos de recebimento no meio rural
130 mil produtores de tabaco beneficiados
12,3 milhões de embalagens recebidas

* No Paraná, 30 mil produtores são beneficiados por meio de iniciativas semelhantes realizadas pelas centrais locais, com apoio das empresas associadas ao SindiTabaco.



Em outubro inicio o quarto mandato à frente do SindiTabaco: já são nove anos como presidente dessa entidade que tem como foco a sustentabilidade da cadeia produtiva do tabaco e a manutenção da renda e dos empregos gerados. Temos avançado juntando esforços com outros atores no sentido de levar a cada vez mais pessoas, de diferentes regiões do Brasil, informações sobre o setor, difundindo sua importância social e econômica para milhares de pessoas do Sul do País, bem como as ações que desenvolvemos.

A transparência e a comunicação são aliadas nesse processo e têm demonstrado grandes avanços que destacamos nessa edição, como a criação do Instituto Crescer Legal, intenção que virou ação e que vem sendo amadurecida há algum tempo, bem como o pioneirismo do Programa de Recebimento de Embalagens Vazias de Agrotóxicos, que completa em outubro seus 15 anos.

No mandato que inicia, vislumbramos novos desafios, especialmente relacionados a assuntos regulatórios, outro grande foco do SindiTabaco. Nesse sentido, vamos seguir buscando um ponto de convergência ou de equilíbrio entre as questões relacionadas à saúde e à geração de renda e empregos da cadeia produtiva. Encerramos 2015 conscientes de que foi um ano difícil no cenário político e econômico do País, mas acreditando que o setor continuará avançando, mantendo o Brasil como o maior exportador e o segundo maior produtor de tabaco em folha do mundo.


Este espaço é dedicado aos produtores que fazem parte do SIPT (Sistema Integrado de Produção de Tabaco) em todas as regiões do Sul do País.

Prática comum na zona rural em décadas passadas, Mário Armin Schunemann ajudava os pais na lavoura quando era criança, estudou até a 4ª série e se tornou um agricultor ainda jovem. Hoje com 50 anos, o produtor de tabaco de Paraíso do Sul seguiu uma cartilha bem diferente na educação de seus filhos. “Minha filha entrou com 17 anos na faculdade e agora com 21 se graduou em Nutrição. Meu guri, de 14 anos, já está no ensino médio”, conta Schunemann.

Mas o investimento em educação não foi sua única aposta. Há anos, a mudança de atitude ganha espaço na sua propriedade de 16,5 hectares na localidade de Quilombo. “Sempre tentei fazer tudo certo, seguindo a legislação e protegendo nossa saúde”, relata. Com este pensar, Schunemann não se cansa de buscar conhecimento.

“Já tinha assistido o Ciclo de Conscientização do SindiTabaco, mas decidi participar do evento, em julho, para me atualizar sobre o uso correto de equipamentos, defensivos agrícolas e os cuidados com o meio ambiente.” Toda esta conscientização também fez dele um produtor modelo, ou como diz de “confiança”. Há três anos, uma faixa de suas terras serve para experimentos de pesquisas: plantio de variedades de tabaco e irrigação.

A PROPRIEDADE

  • 16,5 hectares de área total
  • 4 hectares de tabaco Virgínia (60 mil pés)
  • 3 hectares de milho (*)
  • 2 hectares de eucalipto (*)
  • 6 hectares de mata nativa
  • 3 estufas de cura de tabaco Trator e implementos agrícolas
  • Trator e implementos agrícolas
  • 10 cabeças de gado
  • Plantio de mandioca, batata e hortaliças (*)
  • Criação de galinhas e porcos (*)

(*) Consumo na propriedade

Marcelo Lerina, coordenador Regional de Operações do Instituto Nacional de Embalagens Vazias (inpEV) no RS e SC

O inpEV nasceu após a instituição da Lei Federal 9.974/2000, que atribuiu aos usuários de defensivos agrícolas a responsabilidade de devolver as embalagens vazias. Desde sua criação, o instituto se viu frente a um desafio enorme: mudar comportamentos. O desafio ainda é o mesmo?

A maioria dos agricultores já está consciente sobre as suas responsabilidades e quais os procedimentos corretos para lavar, armazenar, transportar e devolver as embalagens. Mas o desafio ainda é grande, principalmente no Sul do Brasil onde predominam as pequenas propriedades. Estamos fazendo esforços com campanhas e materiais educativos para atingir o grande número de pequenos e médios produtores com informações sobre como as embalagens devem ser entregues.

Houve amadurecimento sobre a questão da responsabilidade socioambiental e a sustentabilidade da agricultura?

A agricultura brasileira é exemplo para o mundo sobre a destinação adequada de embalagens vazias de agrotóxicos. A produção agrícola tem aumentado em todo o Brasil, com áreas de novas fronteiras agrícolas no Centro Oeste, e na região Norte. No Sul do Brasil, as áreas de soja também têm aumentado, principalmente em áreas de pastagens. O Sistema Campo Limpo tem conseguido acompanhar este crescimento, criando novas centrais, postos e fazendo recebimentos itinerantes junto a pequenos bolsões agrícolas.

A fórmula de responsabilidade compartilhada vem dando certo?

Produtores rurais, fabricantes e canais de distribuição de produtos fitossanitários, com apoio do poder público, cumprem, por meio do Sistema Campo Limpo, os requisitos da Lei Federal 9.974/00, que determina a responsabilidade

compartilhada entre os envolvidos. Com certeza, neste modelo de legislação, a integração entre elos são fatores fundamentais para o sucesso do Sistema. Sua eficiência levou o País a conquistar, em 2005, a liderança mundial na destinação desse tipo de material, posição que ocupa até os dias de hoje, seguido de países como Alemanha (77%), Canadá (73%), França (66%), Japão (50%), Polônia (45%), Espanha (40), Austrália (30%) e Estados Unidos (30%).

Como a Região Sul se posiciona no ranking de destinação correta de embalagens?

No primeiro semestre deste ano, 24.690 toneladas de embalagens de defensivos agrícolas pós-consumo foram destinadas de forma correta em todo o País. A análise realizada mostra que, no período, o Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina destinaram juntos 6.321 toneladas, volume que representa 25% do resultado.

O setor de tabaco adotou sistema de recebimento de embalagens próprio que completa 15 anos em 2015. Como o InpEV enxerga as iniciativas deste setor?

O Programa de Recebimento de Embalagens Vazias de Agrotóxicos do SindiTabaco é fundamental para o Sistema Campo Limpo no RS e SC. O programa atinge milhares de produtores de uma forma que realmente facilita a devolução, devido à grande capilaridade dos roteiros, e permite ainda a entrega de embalagens utilizadas em outras culturas. O setor de tabaco foi o primeiro a estruturar o programa e já está informatizando os cadastros e dados do recebimento no momento da devolução. Vemos com frequência, nos eventos que participamos, a consciência e grande satisfação dos produtores de tabaco em fazer parte deste programa.

Uma união de forças para promover e apoiar ações e projetos sociais voltados a combater o trabalho infantil e oferecer alternativas
de educação para os adolescentes que vivem no meio rural.
Com esta vocação nasceu o Instituto Crescer Legal,
uma iniciativa do SindiTabaco e empresas associadas.

Fundado em 23 de abril deste ano, em Santa Cruz do Sul (RS),
o Instituto quer ampliar as conquistas do setor do tabaco
na última década, a exemplo da evolução da erradicação
do trabalho infantil. Segundo o diretor presidente do Instituto
Crescer Legal, Iro Schünke, que também preside o SindiTabaco, a educação e a aprendizagem profissional serão os principais eixos.

Uma pauta extensa já começou a ser articulada com diversas instituições para colocar em prática ações voltadas à formação, geração de renda, crédito, cultura, e de reflexão e diferenciação da condição de gênero dos adolescentes do meio rural.

Saiba mais: www.crescerlegal.com.br


Uma grande oportunidade

PROF. NESTOR RASCHEN, diretor geral do Colégio Mauá, de Santa Cruz do Sul (RS), e presidente do Conselho Consultivo do Instituto Crescer Legal.


Todos nós estamos preocupados com a qualidade de vida das pessoas no campo e na cidade. É notório que os jovens do meio urbano têm mais oportunidades de formação em relação aos jovens do meio rural. Também preocupa sempre de novo o trabalho infantil e de adolescentes no meio rural.

Eis que surge uma grande oportunidade para os jovens do meio rural: a criação do Instituto Crescer Legal. Uma iniciativa do Sinditabaco que merece total apoio e reconhecimento, uma vez que ofertará, aos jovens do meio rural, oportunidades até então pouco frequentes se comparadas ao meio urbano. O Instituto Crescer Legal tem como essência acreditar na mudança cultural que, em alguns contextos, legitima o trabalho de crianças e adolescentes. A promoção de iniciativas reflexivas busca questionar esta realidade e tornar melhor a vida no campo.

Sinto-me deveras honrado em participar desta iniciativa desde a sua origem, sendo sócio fundador do Instituto, uma vez que tenho minhas raízes no meio rural e por acreditar que todos juntos podemos modificar e melhorar a qualidade de vida das pessoas que vivem no meio rural. Desejo vida longa ao Instituto Crescer Legal e que muitas pessoas, entidades e o poder público possam se engajar nesta iniciativa tão louvável para a região produtora de tabaco.

DIA DO PRODUTOR DE TABACO

O Dia do Produtor de Tabaco, comemorado no dia 28 de outubro, será celebrado em Rio Azul, no Paraná, com um evento que deverá reunir autoridades, dirigentes de entidades do agronegócio e centenas de produtores. Em 2013, o encontro aconteceu em Santa Cruz do Sul (RS) e em 2014 em Canoinhas (SC), com participação de grande público. A ação é promovida pela Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra), Federações dos Sindicatos Rurais (Farsul) e dos Trabalhadores Rurais (Fetag/RS), com o apoio do SindiTabaco.

CÂMARA SETORIAL

A Câmara Setorial da Cadeia Produtiva do Tabaco se reúne no dia 27 de outubro, em Curitiba, e contará com a coordenação do novo presidente Airton Artus, escolhido por unanimidade para conduzir os trabalhos pelos próximos dois anos. Romeu Schneider, presidente da Câmara nos últimos nove anos e secretário da Afubra, foi eleito consultor. Artus também é prefeito de Venâncio Aires, município que mais produz tabaco no Brasil, e tem acompanhando as demandas do setor, tendo estado presente nas últimas três Conferências das Partes (COP) da ConvençãoQuadro para o Controle do Tabaco (CQCT).

MILHO E FEIJÃO

Reconhecida ação de incentivo à diversificação na agricultura familiar do Sul do Brasil, o programa Milho e Feijão após a colheita do tabaco será renovado em outubro nos estados de Santa Catarina e Paraná, e em novembro no Rio Grande do Sul. O programa contará com o apoio dos governos estaduais e de diversas entidades ligadas à agricultura e tem a expectativa de incentivar produtores a diversificarem suas propriedades, maximizando a renda e a qualidade de vida no meio rural.

CAR: informação em mãos

O Cadastro Ambiental Rural (CAR) é um registro eletrônico regulamentado depois da criação da Lei 12.651/12, a nova Lei Florestal. O objetivo é formar uma base de dados estratégica para o controle, monitoramento e combate ao desmatamento das florestas e demais formas de vegetação nativa do Brasil, bem como para planejamento ambiental e econômico dos imóveis rurais.

Pela legislação, todos os imóveis rurais devem aderir à regularização até maio de 2016. Para agilizar o processo e evitar prejuízos – quem não se cadastrar, não terá acesso a crédito rural, linhas de financiamento e isenção de impostos para insumos e equipamentos a partir de 28 de maio de 2017 – o SindiTabaco, com apoio de entidades ligadas ao setor, distribuiu material informativo para os mais de 160 mil produtores de tabaco na Região Sul.

Por meio do sistema eletrônico do CAR, são identificadas três áreas: Preservação Permanente; Reserva Legal e de Uso Restrito. O cadastro permite, assim, o conhecimento efetivo do passivo ambiental (o que deve ser recuperado) e o ativo florestal. Em outra ponta, o SindiTabaco e o Ibama atuam, desde 2011, na preservação do maciço florestal. Atualmente, a evolução de fragmentos florestais remanescentes da Mata Atlântica é monitorada, via satélite, em 21 municípios.

As principais regiões produtoras de tabaco são destaque a cada edição da SindiTabaco News. A seguir, conheça um pouco mais sobre o município de Prudentópolis, distante 207 quilômetros de Curitiba (PR).

Berço da cultura ucraniana no Brasil e repleta de atrações turísticas, Prudentópolis não esbanja apenas a farta arquitetura bizantina ou o título de Terra das Cachoeiras Gigantes. Na pequena cidade paranaense, distante 207 quilômetros de Curitiba, mais de 50% dos habitantes vivem na área rural. Número que demonstra a importância do campo, pois é de onde vem grande parte da força do trabalho e do desenvolvimento.

Segundo a secretária de Agricultura, Dayanne Louise do Prado, o cultivo do tabaco puxa a atividade econômica do município. Na safra 2013/14, foram produzidas 9.906 toneladas em 4.465 hectares, o que colocou o município como o 3º maior produtor do Estado. Mas Prudentópolis não vive apenas do tabaco. A diversificação ganha ritmo com a fruticultura e a produção leiteira, além de outras culturas, como soja, feijão, milho e trigo.

  • Colônia fundada em 1894 recebeu o nome de Prudentópolis em homenagem ao então presidente da República, Prudente de Morais;
  • Emancipou-se em 12 de agosto de 1906;
  • Prefeito Adelmo Luiz Klosowski.

PRUDENTÓPOLIS EM NÚMEROS

Fonte: IBGE e Prefeitura

  • População (estimada 2015):51.567 habitantes
  • Área territorial: 2.236,579 km²
  • PIB per capita (2012): R$ 10.316
  • Produtores: 10 mil, sendo 1.797 produtores de tabaco
  • Produção de Tabaco (2013/14): 9.906 toneladas

LEI 12.651/12

Instituiu o “novo” Código Florestal Brasileiro e criou o Cadastro Ambiental Rural (CAR). Estabelece normas gerais sobre a proteção da vegetação, áreas de Preservação Permanente e as áreas de Reserva Legal; a exploração florestal, o suprimento de matéria-prima florestal, o controle da origem dos produtos florestais e o controle e prevenção dos incêndios florestais, e prevê instrumentos econômicos e financeiros para o alcance de seus objetivos.

DECRETO 4074/2002

Determina no artigo 53 que os “usuários de agrotóxicos e afins devem efetuar a devolução das embalagens vazias e respectivas tampas aos estabelecimentos comerciais em que foram adquiridos, observadas as instruções constantes dos rótulos e das bulas, no prazo de até um ano, contado da data de sua compra”.

  • 06 DE OUTUBRO
    IV Seminário de Aprendizagem Profissional em Santa Cruz do Sul (RS)
  • 23 DE OUTUBRO
    Posse da Diretoria do SindiTabaco – Gestão 2015/18

    15º aniversário do Programa de Recebimento de Embalagens Vazias de Agrotóxicos

  • 26 DE OUTUBRO
    Assinatura Programa Milho e Feijão em Santa Catarina
  • 27 DE OUTUBRO
    Assinatura Programa Milho e Feijão no Paraná

    Reunião da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva do Tabaco (Curitiba)

  • 28 DE OUTUBRO
    Dia do Produtor de Tabaco
  • 05 DE NOVEMBRO
    Assinatura Programa Milho e Feijão no Rio Grande do Sul
  • 11 E 12 DE NOVEMBRO
    10º ENAI – Encontro Nacional da Indústria (Brasília)
  • O SindiTabaco congrega 16 empresas associadas e atende demandas de todo o Brasil, com exceção dos Estados da Bahia, Rio de Janeiro e São Paulo. A transparência e a visibilidade são estratégicas ao SindiTabaco, que enfatiza a importância social/ econômica do setor, seja na geração de empregos e tributos, como na relevância do tabaco na economia de municípios e Estados da Região Sul. Além disso, a Entidade incentiva a sustentabilidade, por meio da responsabilidade social e ambiental, que reitera o sentido da existência do Sindicato e de sua ampla atuação.

    Conheça as Associadas

    Esta é uma publicação trimestral do SindiTabaco (Sindicato Interestadual da Indústria do Tabaco), dirigida a autoridades, consultores, produtores e lideranças empresariais e políticas.

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