Sinditabaco News – Janeiro/Fevereiro/Março de 2016

Preocupação recorrente há anos, o êxodo da zona rural, trajetória geralmente feita em busca de oportunidades profissionais, tem tudo para ser minimizado em áreas de cultivo de tabaco. A expectativa da sucessão rural, em que os herdeiros seguem nas rédeas da propriedade, vem do Programa de Aprendizagem Profissional Rural, ação do Instituto Crescer Legal, fundado em abril de 2015. Pilotos serão implantados em Candelária, Santa Cruz do Sul, Vale do Sol, Venâncio Aires e Vera Cruz neste ano. “Os jovens terão uma alternativa de profissionalização sem sair do campo”, explica o diretor-presidente do Instituto, Iro Schünke.

A ação de qualificação foi induzida por um grande questionamento: “como o adolescente rural pode se preparar para o trabalho e ter perspectivas de futuro no campo?” A entidade abraçou a causa, arquitetando o projeto de forma a ofertar oportunidades existentes nas cidades, como acesso à educação, à tecnologia e à informação.

Com esta vocação de instigar uma cultura cidadã e empreendedora na agricultura, a grade curricular será direcionada à administração e gestão rural sustentável, sucessão e agregação de tecnologia. “O programa já foi validado no Ministério do Trabalho, Emprego e Previdência e no primeiro trimestre de 2016 faremos a seleção dos profissionais e dos adolescentes para implementar as turmas gradualmente”, informa a consultora do Instituto Crescer Legal, Ana Paula Motta Costa.

Jovens na faixa etária de 15 a 17 anos, oriundos de famílias de pequenos produtores de tabaco, são o público-alvo dos cursos profissionalizantes. Um dos critérios é estar cursando o ensino regular a partir do 5º ano. Com duração média de 11 meses, as aulas acontecerão no contraturno escolar. A proposta inicial formará cinco turmas de até 20 adolescentes. Além da certificação, concedida ao final das 920 horas de atividades teóricas e práticas, durante o curso os jovens serão contratados como aprendizes das empresas de tabaco, recebendo salário proporcional a 20 horas semanais e realizando toda a prática no próprio curso.

Os desafios que têm nos acompanhado ao longo dos últimos anos deverão continuar em 2016. Neste ano devemos intensificar a preparação para a 7ª Conferência das Partes (COP7), da Convenção-Quadro para o Controle do Tabaco (CQCT), que será realizada na Índia, considerando o quão importante foi a mobilização do setor durante a COP6, em 2014, na Rússia.

Incentivaremos também avanços na mobilização de setores governamentais, fiscais e da segurança pública para o combate ao contrabando, prática que coloca no mercado produtos de qualidade duvidosa e ocasiona perdas de receitas para o País e reduz a competitividade do produto legal.

2016 também será o ano de implantação das atividades de aprendizagem profissional no meio rural, uma ação do Instituto Crescer Legal. Os programas pilotos serão nos municípios gaúchos de Candelária, Santa Cruz do Sul, Vale do Sol, Venâncio Aires e Vera Cruz e têm o objetivo de oferecer aos jovens alternativas de profissionalização sem sair do campo.

Será, portanto, um ano de muito trabalho em defesa deste tradicional setor do agronegócio brasileiro e que continua mantendo o Brasil como o maior exportador mundial e segundo maior produtor de tabaco em folha do mundo.


Este espaço é dedicado aos produtores que fazem parte do SIPT (Sistema Integrado de Produção de Tabaco) em todas as regiões do Sul do País.

“Nesta terra, em se plantando, tudo dá!” A frase de Pero Vaz de Caminha, na carta escrita ao rei Dom Manuel de Portugal, ao ver toda a natureza exuberante do Brasil, nunca esteve tão atual. A diversificação de culturas é a prova disso e vem ganhando mais e mais adeptos. Caso do agricultor Claudir Frank, de Canguçu, no sul do Rio Grande do Sul. Ele segue à risca os ensinamentos difundidos pelo Programa de Milho e Feijão Após a Colheita do Tabaco: além dos grãos, cultiva ainda aveia.

“As culturas se destinam à alimentação dos animais, extração de sementes e ainda servem como um colchão de proteção ao solo, renovando a terra e reduzindo a acidez e a erosão”, explica. O revezamento da lavoura é feito de safra a safra do tabaco Virgínia, cuja previsão é de uma produção de 18 mil quilos (são 110 mil pés plantados). E a diversificação não para por aí. Uma área da propriedade é destinada exclusivamente para o plantio de 3 mil pés de pêssegos, que rendem cerca de 30 toneladas; em outra 6,5 mil árvores de eucaliptos são cultivados, madeira suficiente para o fornecimento de calor nas estufas de secagem do tabaco.

A PROPRIEDADE

  • 30 hectares de área total
  • 7 hectares de tabaco Virgínia
  • 3 hectares de milho
  • 5 hectares de pêssego
  • 4 hectares de eucalipto
  • 11 hectares de mata nativa
  • 3 estufas elétricas para cura do tabaco
  • 2Trator e implementos agrícolas

Airton Spies, PhD e secretário Adjunto da Agricultura e da Pesca de Santa Catarina, amplia a discussão sobre como a diversificação consciente e bem planejada contribui para aumentar a renda e a segurança do produtor rural.

Quais são as vantagens da diversificação para o pequeno produtor rural?

O uso mais racional e intensivo da terra, mão de obra, capital e infraestrutura; aumento de renda e melhoria do fluxo de caixa, pela combinação das atividades com a agregação de valor, pois um produto pode ser o insumo para outra atividade dentro da mesma propriedade; redução de riscos e aumento da segurança, tanto de clima como de mercado, uma vez que nem todos os produtos sofrem com o clima ou com os baixos preços ao mesmo tempo; contribui com a sustentabilidade, pois conserva melhor o solo e traz equilíbrio em relação às pragas e doenças pela rotação de culturas; torna o trabalho na propriedade rural mais agradável, menos árduo e monótono, melhora a atratividade do meio rural e a autoestima das pessoas.

Santa Catarina possui um perfil de pequenas propriedades e a diversificação acaba se tornando ainda mais desafiadora. Como estimular a sucessão neste cenário?

Para atrair os jovens a permanecer no campo, como agricultores por opção e não por acaso, as pequenas propriedades rurais precisam gerar mais renda e ter um sistema de produção com trabalho mais humanizado e menos árduo. Isso se faz com tecnologia, mecanização e profissionalização dos produtores rurais, o que aumentará a produtividade e rentabilidade. Em Santa Catarina, onde 90% dos 200 mil estabelecimentos agropecuários economicamente ativos têm menos de 50 hectares, temos um grande desafio – fazer nessas pequenas propriedades, grandes negócios. Isso é possível, mas exige profissionalismo, investimentos, tecnologias e sistemas de produção de alta densidade econômica, que dão muita renda em pequenas áreas. A combinação de atividades vegetais com a produção animal tem sido a receita do sucesso em Santa Catarina.

Como avalia os resultados do Programa Milho e Feijão após a colheita do tabaco?

O programa vem contribuindo para estimular os agricultores a fazer bom uso do solo, da mão de obra e das máquinas em um período ocioso, permitindo gerar uma boa renda adicional. O programa traz grandes benefícios para a economia, o meio ambiente e para a qualidade de vida das pessoas, mexendo o ponteiro na direção certa e contribuindo para o desenvolvimento sustentável do meio rural catarinense.

Ainda é possível avançar com a diversificação?

Sem dúvida, é possível melhorar a produtividade e reduzir os custos com emprego de tecnologias apropriadas. Precisamos nivelar para cima a produtividade e a rentabilidade e isso se faz com boa pesquisa e assistência técnica aos produtores. Porém, apesar das inúmeras vantagens da diversificação, é preciso que esta seja feita com muita cautela e conhecimento, pois aumentando o número de atividades produtivas, também aumenta a complexidade do sistema e a necessidade de o agricultor buscar conhecimento. Não recomendamos fazer diversas atividades sem qualidade e controle, é preciso profissionalismo por parte do agricultor. Não é o tamanho da propriedade rural que define o tamanho do negócio, e sim, a competência e a gestão do sistema de produção.

A conscientização continua

O tema trabalho infantil é relativamente novo para
o produtor rural. Mas, ano a ano, há entendimento
e mudança de comportamentos dos agricultores,
despertar provocado pelos Ciclos de Conscientização,
uma iniciativa do SindiTabaco, com o apoio das
empresas associadas e da Associação dos Fumicultores
do Brasil (Afubra). Em 2015, a 7ª edição envolveu
3.030 participantes da Região Sul, repetindo o sucesso desde
sua criação em 2009, alcançando 18 mil pessoas.

Além da boa participação, pesquisa com os produtores apontou que 76% aprimoraram seus conhecimentos sobre proteção da criança e do adolescente e 82% acreditam em uma mudança de atitude a partir das informações recebidas. “A mudança cultural é possível e já está acontecendo. Este é o maior objetivo dos eventos, também direcionados à saúde dos produtores,” afirmou o presidente do SindiTabaco, Iro Schünke.

Em sete edições, o Ciclo de Conscientização já foi levado a 45 municípios do Sul do Brasil. No ano passado, as palestras foram realizadas nos municípios gaúchos de Paraíso do Sul, Sinimbu e Barão do Triunfo; além de Vidal Ramos e Irineópolis, em Santa Catarina, e Imbituva e Palmeira, no Paraná. Os seminários atendem aos acordos firmados perante o MPT-RS e MPT-Brasília em 2008 e 2011.

Contrabando: problema real

LUCIANO STREMEL BARROS, economista e presidente do Instituto de Desenvolvimento Econômico e Social de Fronteiras (IDESF).


O ano de 2016 inicia carregado de incertezas. União, estados e municípios estão amargando a falta de recursos para cumprir suas obrigações e focam erroneamente no aumento da carga tributária de setores já extremamente onerados. Enquanto a sonegação fiscal e a informalidade aumentam, os bons pagadores carregam o ônus de manter as receitas do governo. Mas há um limite para isto, pois as empresas transferem os custos para produtos, que ficam mais caros, tornando ainda mais fértil o terreno para o contrabando.

A Frente Parlamentar de Combate ao Contrabando estima que o País perdeu em 2015 cerca de R$ 100 bilhões com produtos que entram ilegalmente. Este número é ainda maior se medidos os impactos na não geração de empregos, no tolhimento da capacidade de investimentos das empresas e nos custos do governo em segurança pública.

Para apontar soluções faz-se necessário entender a lógica que movimenta tudo isto. Dos produtos que entram pela fronteira Oeste, o cigarro representa 67% dos 10 mais apreendidos, e o principal fator para estes volumes é a lucratividade para o contrabandista, que varia de 179% a 231% (IDESF/EGOPE). Este dinheiro alimenta o crime organizado, corrompe entes públicos, deturpa a economia com concorrência desleal, sacrifica o emprego do trabalhador e sufoca a indústria nacional.

Neste contexto algumas propostas podem ser viáveis para desestimular o contrabando, como reduzir a carga tributária para os setores mais afetados; rever a legislação para que o contrabandista pague com patrimônio os danos gerados; promover a integração entre os órgãos de segurança; e criar mecanismos de cooperação entre os países para conter os crimes, desenvolvendo discussões sobre equiparações tributárias e cooperações investigativas. Somente assim o País ocupará seu lugar no cenário internacional como pátria próspera e responsável.

GESTÃO 2015-2018

O SindiTabaco empossou a diretoria da Gestão 2015- 2018 no dia 23 de outubro, em Santa Cruz do Sul (RS). Iro Schünke, reeleito para o quarto mandato consecutivo, elencou as prioridades para novo mandato que vai até 31 de outubro de 2018. Segundo o executivo, o Sindicato, no interesse comum das empresas associadas, tem como objetivo defender a cadeia produtiva do tabaco, com ações focadas em comunicação, sustentabilidade e assuntos regulatórios.

DESTINO CERTO

Até o dia 11 de março produtores gaúchos das regiões Sul e Litoral poderão devolver as embalagens vazias de agrotóxicos tríplices lavadas com comodidade e segurança. O roteiro do programa itinerante coordenado pelo SindiTabaco percorrerá diversas localidades rurais de 44 municípios. As embalagens coletadas são encaminhadas para as centrais de recebimento e credenciadas pelo Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias (inpEV), onde são separadas e classificadas para serem enviadas às unidades de reciclagem.

Lavoura
diversificada

Não é de hoje que produtores de tabaco são incentivados a diversificar as culturas. Primeiro, porque significa renda o ano inteiro; segundo, porque garante proteção do solo, otimiza recursos e preserva o meio ambiente. Estes são os pilares do Programa Milho e Feijão após a colheita do tabaco, desenvolvido pelo SindiTabaco, com apoio dos governos dos três Estados do Sul do Brasil e entidades ligadas à agricultura.

Para o SindiTabaco, o aproveitamento da propriedade para outras culturas deve ser uma alternativa sustentável. Ou seja, ao mesmo tempo em que se aplica uma técnica para proteger o solo, a exemplo do plantio do milho (a “palhada” funciona como cobertura, evitando a erosão na lavoura), o agricultor poderá comercializar o produto (renda extra), usá-lo para consumo da família e como alimentação dos animais. Soma-se às vantagens econômicas e ambientais, o trabalho de orientação e assistência técnica das empresas associadas e de entidades parceiras sobre práticas conservacionistas, como plantio direto e cultivo mínimo.

Vantagens para o produtor

  • Diversificar suas atividades
  • Proteger o solo da erosão
  • Aproveitar o residual da adubação do tabaco
  • Evitar a proliferação de pragas e ervas daninhas
  • Colher mais alimentos para a sua família
  • Economizar na alimentação dos animais
  • Gerar renda extra na propriedade

As principais regiões produtoras de tabaco são destaque a cada edição da SindiTabaco News. A seguir, conheça um pouco mais sobre a cidade de Sinimbu, distante 161 quilômetros de Porto Alegre (RS).

Há tempos a diversificação deixou de ser um experimento em Sinimbu. No final de outubro, foi aprovado projeto de lei para estimular o agricultor a diversificar sua propriedade. Uma delas é a fruticultura. “Entre as ações estão compra de mudas, insumos e assistência técnica”, disse o secretário da Agricultura, Flávio Vogt. Também há incentivos à produção leiteira, hortifrutigranjeiros (comprados para a merenda escolar) e subsídios para inseminação artificial.

Segundo o secretário, a cultura do tabaco é o carro-chefe nas lavouras. Na safra 2014/15 os quase dois mil produtores responderam por uma produção de 7.560 toneladas. Mas o agricultor está atento às oportunidades que possam lhe render ainda mais ganhos, caso do plantio de grãos. Em Sinimbu, a área cultivada de milho gira em torno de 6,5 mil hectares entre os plantios da safra e safrinha, enquanto que o feijão preto é cultivado em 600 hectares na safra e 300 hectares na safrinha.

  • Sinimbu foi elevado à categoria de município em 20 de março de 1992
  • Prefeito Clairton Wegmann

SINIMBU EM NÚMEROS

Fonte: IBGE e Prefeitura

  • População (estimada 2015):10.400 habitantes
  • Área territorial: 510,120 km²
  • PIB per capita (2012): R$ 14.114,12
  • Número de propriedades rurais:2.155(área média
    de 25 hectares)
  • Produção de Tabaco (2014/2015): 7.560 toneladas
  • Produtores de Tabaco: 1.991

CULTIVO MÍNIMO

Técnica em que o produtor mobiliza o mínimo possível o solo, protegendo parcialmente a sua superfície com resíduos da cultura anterior ou a biomassa resultante dos cultivos de cobertura, com o objetivo de diminuir os riscos de erosão.

DIVERSIFICAÇÃO

Como o tabaco é uma cultura sazonal, permitindo um cultivo sucessivo, as empresas incentivam o plantio de outras culturas, como o milho e o feijão após o tabaco. Esta prática possibilita a redução das populações de pragas e doenças, o reaproveitamento dos resíduos de fertilizantes, constituindo-se em fonte complementar de alimentação e renda das propriedades.

DOENÇA DA FOLHA VERDE DO TABACO

Intoxicação causada pela absorção – através da pele – da nicotina dissolvida pela umidade, quando se manuseiam folhas verdes de tabaco molhadas por chuva ou orvalho.

PLANTIO DIRETO

Sistema de cultivo mais eficiente na proteção do solo. Consiste em evitar o revolvimento do solo, preservando integramente a palhada dos cultivos de cobertura sobre a sua superfície. Além do aspecto conservacionista, esta tecnologia propicia redução no uso de combustíveis fósseis, redução na mão de obra e aumento da rentabilidade do produtor através da redução de custos. Trata-se de um sistema já consagrado e amplamente utilizado no Brasil, inclusive no cultivo de tabaco. O Brasil é, atualmente, uma referência mundial no desenvolvimento e uso desta tecnologia.

TABACO VIRGÍNIA

O tabaco pode ser dividido em dois grupos: de Galpão – curado em galpões ventilados naturalmente, levando cerca de 40 dias para completar o processo de cura, caso do Burley e Galpão Comum, ambos com tonalidade escura – e o de Estufa, responsável pelo maior volume produzido no País. O tabaco Virgínia faz parte deste segundo grupo submetido à cura em estufas com temperatura e umidade controladas (flue cured), em processo que demanda de cinco a sete dias para ser concluído.

  • 03 DE MARÇO
    Dia Nacional de Combate ao Contrabando
  • 22 DE MARÇO
    Dia Mundial da Água
  • 21 A 23 DE MARÇO
    Expoagro Afubra 2016
  • O SindiTabaco congrega 15 empresas associadas e atende demandas de todo o Brasil, com exceção dos Estados da Bahia, Rio de Janeiro e São Paulo. A transparência e a visibilidade são estratégicas ao SindiTabaco, que enfatiza a importância social/ econômica do setor, seja na geração de empregos e tributos, como na relevância do tabaco na economia de municípios e Estados da Região Sul. Além disso, a Entidade incentiva a sustentabilidade, por meio da responsabilidade social e ambiental, que reitera o sentido da existência do Sindicato e de sua ampla atuação.

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    Esta é uma publicação trimestral do SindiTabaco (Sindicato Interestadual da Indústria do Tabaco),
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