Encontro debate estratégias para a COP 7

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Conferência das Partes será em novembro, na Índia. Parlamentares e representantes do setor produtivo iniciam articulações. Grupo quer acesso ao texto que a Organização Mundial da Saúde levará ao encontro, para ter a chance de introduzir alterações

As formas de mobilização para a 7ª Conferência das Partes da Convenção Quadro para o Controle do Tabaco (COP 7) serão tema de uma audiência pública amanhã. O encontro será realizado na Sala da Convergência do Fórum Democrático Adão Preto, na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul. Além dos parlamentares, líderes do setor fumageiro têm presença confirmada no evento marcado para começar às 10 horas. A COP 7 acontece em novembro deste ano, em Nova Delhi, na Índia.

Proponente da reunião, o deputado estadual Marcelo Moraes (PTB) avalia que nas conferências anteriores o setor do tabaco só não foi mais prejudicado justamente pela pressão exercida por parlamentares e entidades que defendem a cadeia produtiva. Segundo ele, o governo federal costuma ir para a COP sem uma opinião formada, já que existem divergências relacionadas ao assunto em diferentes ministérios. “Nós queremos reunir as entidades e deputados da bancada do fumo para ter acesso e começar a mexer no texto que a Organização Mundial da Saúde vai levar para a COP”, relata.

O petebista explica que a partir do encontro de amanhã devem ser definidas estratégias de articulação junto ao governo federal. Conforme Marcelo Moraes, uma grande mobilização se faz necessária para que governo não ouça apenas as ONGs antitabagistas, mas também a voz dos deputados e das entidades que representam o setor produtivo do fumo. “Não se pode falar em tabaco somente pelo lado da saúde, mas também pelos âmbitos social e econômico”, argumenta.

Presidente da Comissão de Agricultura, Pecuária e Cooperativismo da Assembleia, o deputado Adolfo Brito participou de edições anteriores da COP. Segundo ele, a preocupação quanto às restrições impostas ao setor do tabaco é de todo o Estado. “Há uma pressão de organismos internacionais que combatem o consumo de cigarros para que a cultura do tabaco, principal item de exportação do Rio Grande do Sul e que sustenta milhares de famílias agrícolas – em especial no Vale do Rio Pardo – seja eliminada”, salienta.

Entidades representativas também vão participar amanhã
O presidente do Sindicato Interestadual da Indústria do Tabaco (SindiTabaco), Iro Schünke, espera mais transparência do governo federal sobre a posição brasileira na Conferência das Partes. Como um dos pontos mais perigosos da discussão, ele destaca o fato de que a Convenção Quadro quer que o tabaco deixe de fazer parte dos acordos celebrados entre os países. “Eles querem nos jogar para a Organização Mundial da Saúde, o que seria muito ruim para o Brasil, porque somos o maior exportador. Quase 30% das exportações mundiais saem daqui”, pondera.

A Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra) também vai participar do evento amanhã. Um dos representantes da entidade no encontro será o diretor-secretário, Romeu Schneider. Para ele, o setor se sente fortalecido pela representação política simbolizada pela Assembleia Legislativa. Schneider sinaliza que o combate ao tabaco somente beneficia o mercado ilegal e o contrabando. “Precisamos ressaltar essa questão das restrições e buscar mais informações sobre o que vai ser tratado na COP 7”, reivindica.

Fonte: Gazeta do Sul/Leandro Porto